Não deveria ser assim

Uma série de fatores combinados deu início à tragédia que está acontecendo no Rio de Janeiro. Nem preciso contextualizar nada aqui porque todo o dia, nas últimas semanas, todos os jornais estão publicando notícias sobre o assunto, com ressalvas aos problemas que as chuvas estão causando no país. Eu moro em São Paulo e sei bem o que é conviver com as conseqüências dela numa cidade grande, mas isso é outra história.

O que eu quero falar aqui não é sobre as conseqüências da chuva, isso nós estamos acompanhando – talvez alguns diariamente. Eu quero falar sobre a causa, na verdade: o egoísmo ancestral que quase todos os políticos tem. E aqui eu abro um parêntesis, antes de falar sobre o assunto, aos nossos queridos representantes da nação: quando vocês ouvirem Jorge Ben Jor cantar “Moro! Num País Tropical (…)”, PRESTEM ATENÇÃO PORRA!!! Não vai parar de chover onde já sabemos que irá! A morfologia do relevo e da vegetação também não irá mudar de uma hora para outra, ou seja, se esses fatores não forem levados em consideração na hora de criar um planejamento habitacional decente, então merdas como as que estão acontecendo continuarão!

Agora voltando ao tema. Na minha humilde opinião, a causa principal da tragédia que está ocorrendo no Rio é a falta de planejamento à longo prazo, devido a preocupação que a maioria dos políticos tem de nomear os projetos, obras, leis, e tudo mais que eles fazem. Os famosos ‘piscinões’ – há muitos espalhados pela cidade de São Paulo – são exemplos dessa preocupação, obras que não resolvem os problemas, simplesmente diminuem as conseqüências e, claro, podem receber o nome do político que está tentando se reeleger certo?

Aprovar uma medida que só surtirá efeito após o tempo de permanência de um político no poder – seja quatro ou oito anos – é uma coisa muita difícil de fazer. Eles não estão preocupados se tem gente se fudendo (no português claro) por causa das chuvas, enchentes, desabamentos e afins. A maioria das pessoas que morrem nessas tragédias e/ou perdem seus bens materiais, não deveriam estar próximos de onde aconteceram os eventos. Infelizmente, essas pessoas não têm condições financeiras de morar em algum outro lugar menos perigoso, e o governo não ajuda nada criando políticas paliativas que não tem fim, como essa daqui: http://noticias.uol.com.br/especiais/enchentes-no-nordeste/ultimas-noticias/2010/09/07/tres-meses-depois-90-dos-desabrigados-de-al-superlotam-abrigos-e-esperam-por-barracas.jhtm (detalhe: isso aconteceu ano passado!).

PORRA! DOZE MESES PRA CONSTRUIR MORADIAS NOVAS? E PROVAVELMENTE AINDA VÃO SUPERFATURAR A PORRA DAS OBRAS E ALGUÉM VAI ASSINAR PELA FINALIZAÇÃO, LEVANDO CRÉDITO!

Desculpem, mas eu fico puto com essa situação. Já mandei algum dinheiro para as contas públicas de ajuda ao pessoal do Rio (podem consultá-las aqui: http://www.estadao.com.br/noticias/geral,veja-como-fazer-doacoes-para-moradores-da-regiao-serrana-do-rio,665700,0.htm) e espero que ajude em alguma coisa. Daqui a algum tempo veremos no que isso tudo vai dar.

Depois de ter dito tudo isso, vocês devem achar que eu vou começar a propor aqui soluções de planejamento, mas não vou. Não posso fazer isso. E explico por que: cada região de risco tem as suas características, o que significa uma política diferente para cada região. Além desse fato, são necessários dados estatísticos, que eu não tenho, para fazer um balanceamento (social e econômico) do que pode ser feito para tirar aquelas pessoas dessas regiões de risco e realocá-las num local decente. Fora o cálculo de toda grana que será gasta para fazer algo desse tamanho. Percebem como é complicado mexer nesse vespeiro?! Porém mesmo assim é necessário que alguém o faça. E é esse o trabalho que os nossos governantes deveriam fazer – salvo as devidas exceções e as generalizações.

Deixo aqui um apelo os políticos egoístas: parem de se preocupar tanto com o salário, as próximas candidaturas ou as relações de poder entre vocês. Lembrem de quem os elegeu, que essas pessoas precisam de vossas atenções – pessoas como vocês, seres humanos. E pensem numa forma de melhorar essa situação, evitando assim tantas mortes, sem se preocupar com a porra da duração do mandato.

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Arquivado em Cotidiano

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